Orgasmo
7:00hs da manhã, o dia estava apenas
começando. Na cama, deitado de olhos fechados me lembrava da noite anterior, e
que noite. Ainda descansava sem vontade de levantar e ir trabalhar, sentia seu
corpo ao meu lado ainda quente com sua mão em minha em minha orelha fazendo
cafuné. Poderia ficar o dia inteiro assim, sentindo o seu carinho. Você se mexe
e muda de posição, pra minha tristeza, penso que você se levantará sem ao menos
dizer bom dia. Me provando o contrário você apenas passa mão em meu peito como se
medisse cada centímetro do meu corpo, como um cego tateando um objeto pra saber
seu valor seus carinhos aumentam e já não passeiam tão suaves, sua língua
molhada faz uma turnê por meu peito e desce, me arrepio e entro no clima, com o
tesão matinal é bem melhor, evito abrir os olhos e da minha boca só saem
murmúrios, minha respiração aumenta e te acompanho no prazer. Meus dedos
embolados com seus cabelos puxam com força, você geme e sem uma palavra pede
mais, sou envolvido com sua boca quente devagar e dessa vez quem geme sou eu,
não quero que pare, suas unhas agarram meu peito e apertam forte, deveria
sentir dor? Não. Envolvo sua mão e aperto mais forte ainda, quero gritar, mas
não o faço, seus movimentos aumentam e sua voracidade é como um bezerro com
fome, leves mordidas só intensificam o prazer, me agarro forte a você e me
contraio todo. Está vindo, cada vez mais forte eu sinto, você para,
simplesmente para sem avisar, a sensação é de agonia, eu gosto do jogo e te
jogo pro lado te virando de costas, agarro sua nuca com a boca, leões fazem
isso, você se empina e clama por mais, minha boca não para e desço suas costas
até o cóccix sentindo todo o gosto do seu suor. Mordo sua nádega como se fosse
um pedaço suculento de carne, você ri e rebola calmamente com minha boca ainda
nela, já falei que sua bunda é linda? Nada agressiva, nem grande é. O desenho é
delicado, quase tímido, pele como uma seda e curvas que parecem feitas por um
bom arquiteto, a simetria é perfeita. Fico ali tempo o suficiente de você se
virar pra mim, enquanto continuo com a cara fincada em seu corpo, mordo a parte
interna de sua coxa como um vampiro faminto em busca de um bom fluxo de sangue
e sinto sua mão em minha cabeça me puxando na direção certa. Me farto com seu
gosto e exploro cada curva e saliências dessa parte mais que desejada, perco as
contas de quantas voltas eu dei, de cada chupada e mordida em seu sexo, esqueço
que eu preciso respirar pra continuar, mas me deixo levar e sigo em frente com
meus dedos em sua boca molhada me desejando, aperto seu seio com força para dar
mais prazer e você me acompanha. Sinto seu corpo estremecer, sua respiração
mais ofegante e percebo que se continuar verá estrelas, entro no seu jogo e
paro, te dou um beijo, sou mordido, seu olhar invade minha alma sem pedir
licença, te encaro e mordo sua boca também enquanto me meto no meio de você sem
pestanejar, você urra e me agarra com toda sua força, sinto suas unhas tirando
lascas de mim, não ligo. Suas pernas me envolvem, naquele momento o tempo para,
não há mais barulho de carros pela janela, nem sirenes, nem buzinas, só nossa
respiração e gemidos sincronizados como num coral de igreja, aquele momento era
só nosso, Paz, clamor, turbilhão de sensações difíceis de explicar. Sexo?
Estávamos muito além disso. Era algo transcendental, energia pura de iluminar
uma cidade inteira. Algo que não gostaríamos de parar. Era lindo, te
enxergava por dentro, te sentia, éramos um só. Um só corpo com o mesmo
objetivo. O ar condicionado já não dava vazão, a cama estava pegando fogo e só
estávamos começando. As pessoas esqueceram como isso é bom, Amor, pensava eu
enquanto mordia seu pescoço, seus braços me envolviam e me apertavam pra mais
junto do corpo, era tenro, delicado e ao mesmo tempo agressivo. Sexo fácil
qualquer um tem, mas o que estamos fazendo? Isso era privilégio de poucos.
Nossa conexão era tanto que já não sabia onde eu terminava e onde você
começava. Te dou um beijo quente, daqueles de tirar o fôlego e sou retribuído,
ficamos ali horas, sabe-se lá quanto tempo. Tudo lá fora estava desmoronando e
nós nos amando, seria essa a palavra certa? Não importa.
Nossos corpos estremecem e olho pra
você na espera de um sinal, você sorri, nem uma palavra foi dita nesse tempo
todo, estávamos em sintonia, gestos e gemidos eram o suficiente. Não nos xingamos,
não te chamei de cachorra e nem fui chamado de canalha, tapa na cara? Não
precisava, nossa transa tinha a delicadeza de uma avalanche. Uma mordida no meu
pescoço me avisa do que estar por vir. Me seguro e espero. Controle era
impossível naquele momento, mas eis que chega, nós dois juntos, Amor. Nos
contorcemos como cobras no cio sem nos desgrudar. Vejo suas lágrimas escorrerem
pelo seu rosto e você não me solta, parece se agarrar em mim tendo convulsões
deliciosas, meu corpo levava choque cada vez que passava a mão em mim, tesão.
Ficamos lá ainda um bom tempo, nos olhando e beijando, seu sorriso era a maior
recompensa, não olho a hora, apenas pego o telefone e dou uma desculpa
qualquer, não tínhamos fome nem sede, estávamos saciados. Esse dia, Querida,
não vamos trabalhar, ficaremos aqui abraçados nus como se fosse o último dia de
nossas vidas. Naquele dia nós nos amamos e se o mundo fosse terminar,
morreríamos felizes...
Leonardo Zulluh


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